No Museu de Historia Natural de Londres, o confronto com a necessidade humana de determinar com o maximo rigor cientifico a ordem do mundo e, mesmo no seculo XXI, extraordinaria. A ordenacao racional dos fenomenos e a sua categorizacao tao clara e distinta quanto o possivel, e quase convincente no que diz respeito a possibilidade de um entendimento directo dos "dados naturais", e tao didactica e ludica, que e quase certo que muitos dos pequenitos que ali chegam de todas as partes saiem a sonhar que um dia vao ser cientistas.
A apaixona los, em primeiro lugar, claro, os esqueletos de dinaussauros. Mas tambem os fosseis, os peixes, aves e mamiferos empalhados (em especial o dodo e o ornitorrinco), os insectos e aracnideos arrepiantes, as pedras preciosas e semi preciosas, os troncos de arvore petrificados, o corte da gigantesca sequoia (com mais de mil e trezentos anos), os primatas, os vulcoes e terramotos,...
Nem a velocidade do novo tgv a exposicao permanente e vista num so dia (quanto mais as outras)... Uma pessoa sai esgotada e com a sensacao de que nao viu quase nada, embora com os olhos a transbordar.
Mas nao seria, talvez, caso para referir este museu na Arte do Perigo, nao fosse um pormenor que assim o exige. Na "zona vermelha", se a memoria nao atraicoa, na seccao Earth Lab, ha uma pequena vitrine, quase insignificante. No seu interior esta um maquinismo muito simples, posto em movimento por uma alavanca. Numa primeira impressao, logo se da conta da analogia entre o "funcionamento" da Terra e uma maquina, o que seria coerente com a generalidade dos conteudos da exposicao e ate com o espirito do proprio edificio, mandado construir para o efeito na decada de oitenta do seculo XIX. Mas a verdade e que ai se pode ler a seguinte inscricao:
"Nothing is certain except change. Even the simplest system may show unpredictable signs of change."
E, no minimo, curiosa esta necessidade de desconstrucao no campo do maior construto humano: a ciencia. Apesar de se tratar de um pormenor que facilmente passa despercebido, e essa inscricao que da algum sentido a expressao "historia natural", ao introduzir o elemento narrativo, especificamente humano. Nunca devemos esquecer aquilo que Hannah Arendt ensina acerca do Homem: pelo simples facto de estar no mundo, introduz nele a novidade.
Nota: a Arte do Perigo apresenta as suas desculpas aos leitores que se aperceberam da falta de acentuacao grafica deste texto e de outros erros, falhas que se devem a utilizacao de um computador que nao tem estas funcoes.
FM
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