a) Existem dois infinitos, ou pontos utópicos, para a velocidade: a velocidade nula (imobilidade absoluta) e a velocidade máxima (mobilidade absoluta). São infinitos, enquanto indefinidos, não podendo ocorrer senão teoricamente. Se a velocidade é sempre a de um corpo, a imobilidade atómica não se verifica nunca (nem na rocha) e muito menos a velocidade máxima - que desintegraria o corpo. Entre a velocidade nula e a velocidade máxima existe o espaço da finitude, a mensurabilidade do movimento. (De facto, velocidade e movimento são uma e a mesma coisa; porém, muitas vezes a velocidade surge associada a um movimento rápido. Ou então funciona como forma de introduzir a medida no movimento.) No espaço da finitude são detectáveis 3 graus de movimento ou modalidades de velocidade: a velocidade constante (que ocorre necessariamente durante um período de tempo limitado), a aceleração e o abrandamento.

b) A cada um destes graus de movimento associam-se juízos de valor. O atraso implica a ideia do que devia ter sido antes; a precipitação, a ideia de que ocorre antes do tempo devido; a justa-medida (ou justeza) a ideia de que ocorre no tempo devido. A adaptação implica a ideia da sintonia ou aproximação à sintonia entre duas velocidades à partida diferentes. O adiamento ou suspensão remete para a ideia de imobilidade – mas como se sabe, acontece sempre algo entretanto.

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