Sou a pessoa mais modesta que conheço. Mas não só. Sou também a pessoa mais tolerante que conheço. Aliás, sou tão modesto e tolerante que, se alguém contrapuser a esta constatação óbvia o facto de não conhecer muita gente, eu aceito. O meu círculo de relações é de facto reduzido, mas conheço-me a mim, o que não é nada pouco. Imensas pessoas não me conhecem, o que constitui uma pobreza tremenda para o mundo.
Ser modesto a mim não me custa. Eu nasci assim. Há pessoas que são agraciadas pela Fortuna, e eu sou uma delas. Que hei-de fazer? Não posso recusar a minha natureza.
Quanto a ser tolerante... bem, não me é tão fácil ser tolerante quanto ser modesto. Faço algum esforço: para com aqueles que não admitem que sou modesto, por exemplo. Isso, a meus olhos, só mostra como são intolerantes e, modestamente o digo, não sei se se deva tolerar tanta intolerância. Mais difícil se torna tolerá-la quando não chegam a admitir que são intolerantes! Nesse caso resto eu, e tenho que ser tolerante.
Aliás, precisamente porque nem sempre me é fácil ser tolerante, mais mérito tenho. Digo-o sem falsas modéstias. Porque eu sou modesto, mas não falsamente, como essa gente que só se mostra modesta para que elogiem a sua modéstia. É uma gentinha nojenta, essa! Eu não: eu assumo, como não vejo ninguém assumir, que sou modesto, e pronto! Mas se alguém tiver o desplante de me contrariar e disser que não sou tão modesto ou tolerante quanto isso, o melhor que tenho a fazer é ignorar, porque vozes de burro não chegam aqui, ao céu, nem eu tenho orelhas tão grandes ou descaídas que possa ouvir tais vozes. É a minha forma de ser tolerante para quem não tem tão bom-senso quanto eu - mais uma das minhas inúmeras virtudes! A minha modéstia a isso obriga. Eu sou assim, não tenho culpa. É a minha natureza.
O do Costume

Já eu sou tão bom... tão inteligente... e tão bonito que até me chateio de ser assim, tão bom! Chego a ter azia por ter tanta inveja... de mim mesmo... :)
Eu, então, sou bom demais para ser só um.