A aparição desse cometa que foi o disco compacto (CD) trouxe atrás de si uma constelação de apetrechos e termos, que ainda hoje não deixou de se multiplicar e metamorfosear. É o leitor de CDs portátil, é o Ipod, é o Mp3, o Minidisc, o CD-Rom, o DVD, etc. etc…
O cometa eclipsou todo um sistema solar em que o vinil era o astro. O lado B dos singles, dos LPs, dos EPs – que linguagem obtusa para os dias de hoje! Que fazer então da sabedoria que adquirimos nas gravações em fita magnética? Das discussões em torno do uso do Dolby Noise Reduction; do facto indesmentível de as TDK (embora mais caras) apresentarem melhor qualidade de gravação do que as Phillips ou BASF; da resignação de termos gravado tantos álbuns em ferro, reservando os da nossa dilecção para a gravação em crómio; da perícia em colocar as etiquetas autocolantes ou do código de cores que alguém inventou para identificar na lombada os estilos que cada cassete continha?
Abolorentam, as pobres cassetes, em algum sótão, se não foram já parar ao lixo, com as nossas melhores descobertas de pequenos melómanos adolescentes, sempre à coca de encontrar novidade na discografia de um amigo, de um tio, ou de um novo conhecimento - ou de dar a conhecer uma pérola musical a outro amigo ou à namorada. Abolorentam, esquecidas, à espera de uma viagem longa num carro velho que só possua leitor de cassetes, para dar a ouvir casamentos tão insuspeitos como o Réquiem de Mozart no lado A e Siouxsie and the Banshees no lado B.
Resgatarei algumas, pelo menos, para este espaço: em nome de um tempo em que a música nascia nova nos ouvidos.
Começo pela que contém a Suite Popular Brasileira e os Prelúdios, de Heitor Villa-Lobos, que qualquer aspirante a guitarrista (como éramos todos) ou amante de guitarra que se prezasse deveria ouvir. O guitarrista não está identificado, mas bem podia ser Julian Bream, que neste magnífico vídeo interpreta a 2ª parte do Prelúdio nº3 e o Prelúdio nº 4.
PC
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