2.
Deve ser discutida uma nova ideia do Ministério da Educação: diminuir o número de professores no segundo ciclo. Um professor tutor com “formação especial” ficaria incumbido de leccionar disciplinas tão diferentes como História, Ciências da Natureza ou Língua Portuguesa, segundo se diz. O objectivo é o de que não sejam traumatizadas as criancinhas que estão habituadas a um só professor no primeiro ciclo.
Será que mais tarde, na adolescência ou na fase adulta esse trauma já não existirá? Ou devemos deixar para a velhice esse “sofrimento atroz”, essa “fractura” que é aprender com mais do que uma pessoa, reconhecer mais do que uma autoridade, lidar com mais do que uma personalidade, ser confrontado com mais do que uma perspectiva?
Que preparação especial é essa que é capaz de preparar cientificamente um professor para ensinar tudo e mais alguma coisa? Ou, simplesmente, um dia deixará de contar de vez o conteúdo e apenas se dará importância à forma?
É claro que um professor se pode especializar numa faixa etária ou num ciclo de aprendizagem, mas não é suposto ele perceber do que está a falar e criar o entusiasmo a partir das matérias que ensina? Ou talvez, então, os conteúdos venham a ser tão genéricos e vagos, que um dia bastará saber fazer picotado e colorir bonecos com lápis de cera para se entrar na Universidade. Nesse dia não será preciso ir a Paris ver disneilândia…
FM
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