Seguem-se três diagnósticos sobre os nossos jovens. E, para além dos diagnósticos, que desafios se colocam aos educadores? Que podem eles ainda fazer? Poderá propor a sua resposta abaixo, no espaço dos comentários.

1. Daniel Oliveira, no Expresso desta semana:

Toda a gente vive angustiada com esta juventude sem rumo. Os pais não têm tempo para os filhos. Como se antes passassem horas de brincadeira, aventura e descoberta com eles. Os filhos levam uns sopapos na escola, a que se deu o pomposo nome de «bullying». Como se antes reinasse a paz e a harmonia entre colegas. Os adolescentes apanham grandes bebedeiras na noite. Como se antes bebessem Caprissumo. E os jovens querem “tipo coisas fixes”, como se antes quisessem disciplina ou procurassem as causas das suas vidas. A escola portuguesa é medíocre. Como se antes fosse um espaço de excelência onde pululavam mestres inesquecíveis. Para percebermos os adolescentes, não precisamos de muito. Basta recordar a nossa adolescência e acrescentar-lhe quatro coisas: computador em casa, escolas com gente de todas as classes, a certeza de que no futuro nada está seguro e pais angustiados com medo de falhar. É tudo tão simples como sempre foi, tão doloroso como a adolescência sempre foi: querem coisas fixes e as coisas fixes não acontecem.

(Sublinhados meus.)

2. Alexandre Honrado, em Carlota Joaquina, A rainha que amou de mais:

Sem grandes exageros, o que notamos é que muitas dessas crianças da actualidade falam mal – uma espécie de crioulo da língua, um dialecto desdenhoso de regras e obrigações que existem muito debilmente, aliás - ; que têm uma dificuldade enorme em concentrar-se, estes meninos; não têm a menor noção das hierarquias; agem como selváticos lutadores de wrestling profissional; preferem, de longe, a Escola às Aulas; reivindicam direitos desconhecendo a sua base legal e os deveres que implica e não dão nada em troca pelo que lhes dão. Alguns até dominam as tecnologias – mensagens de telemóvel e jogos PlayStation… -, mas a sua falta de qualidade generalizada para o Saber é validada por nós: os adultos. Alguns desses garotos, aos dez anos, são já vândalos impunes, a roçar a delinquência punível pela Lei, marginais que sabem quase tudo do lado acre da vida – e são confrangedoramente ignorantes do lado que a vida (ainda) tem de melhor. Produtos do acaso, não são assim por acaso.

(Sublinhados meus. Nota: recentemente, enquanto o autor apresentava o livro citado no auditório de uma das escolas públicas do nosso país, muitos dos alunos presentes faziam o favor de corroborar amplamente estas linhas.)

3. Ted Hughes, em O fazer da poesia:

Nesta vida ruidosa, movimentada e fácil que é a vida moderna, somos bombardeados por imagens e sons que não têm qualquer significado importante para nós… ou são completamente desprovidos de significação, como o ruído do tráfego, ou servem somente para distracção, como o ruído da televisão. Por isso somos levados a contrair hábitos preguiçosos que nos impedem de ouvir realmente e de ver realmente, parecendo que tudo nos passa à volta sem que seja importante ver e olhar as coisas… é uma maneira de viver em que ninguém fica ferido ou com fome. A maior parte das pessoas passa pela vida sem reparar realmente em nada, são como orcas no aquário do jardim zoológico, onde não há tubarões nem baleias assassinas, onde o tratador traz toda a comida que é preciso, onde as pessoas do outro lado do vidro pertencem a outro mundo e não têm qualquer espécie de interesse. É isto que se passa com a maior parte de nós quando temos dezanove, vinte anos, ou à volta disso, tendo como preocupação máxima o nosso próprio aborrecimento.

(Sublinhados meus.)

PC