O Papa está na Turquia. Pelo mundo fora, milhões de pessoas concentram desejos muito diferentes nesta visita. Não é de espantar, pois é um acontecimento que envolve uma enorme quantidade de aspectos, interesses, perspectivas, afectos… Pode considerar-se, então, um pretexto para as maiores extravagâncias. A minha é esta: desejar que o Papa tenha ocasião de assistir a um espectáculo de música turca. Seria uma maneira interessante de aplicar ao particular o que se costuma atribuir de universal à mensagem bíblica: o convite a acolher o outro, a abraçar as franjas, a escutar os murmúrios das periferias, a regressar ao berçário no qual choram todos os bebés na mesma linguagem. Lembrei-me deste grupo de músicos ciganos muito virtuosos que nos contam a história de uma recepção dada pelo sultão no seu lupanar... Depois de escutar a peça, já o mundo não parece tão grande; ao cimo da gigantesca torre de Babel – a originária, antes da queda – aflora a música dos povos, convertendo fronteiras em intervalos e bandeiras em timbres que fazem lembrar as múltiplas portas mágicas que, no filme O Castelo Andante, constantemente convidam à hospitalidade.

FM