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La Coctelera

Categoría: O homem por vir

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Finais-Felizes, 3

O acto de contar histórias tem por objectivo adiar o fim. E o fim, em última análise, é a morte. Desde Sherazade que isto é líquido. E o que se diz das histórias pode-se dizer de qualquer discurso ou diálogo. Enquanto as pancadas intermináveis do discurso sinfónico não chegam a cabo, dando por concluída a tensão que consubstancia a vida; enquanto houver mais um episódio para a novela da noite (e as novelas são legítimas herdeiras d’ As Mil e uma Noites…); enquanto houver uma palavra a acrescentar ao que o outro disse ou ao que dissemos; enquanto escutarmos, virmos e falarmos – sentimo-nos eternos, ainda vivos, aqui, agora, e está reatada a esperança da continuidade. Não é por acaso que as crianças insistem com os pais, após estes terem terminado a história da noite: «conta mais uma!».

Todo o fim (mesmo para aqueles que o consideram passagem, ou o desejam) é, portanto, infeliz: seja porque contém uma grande dose de incerteza, seja porque é o remate de uma vida triste, seja porque encerra uma vida que até agora – justamente – foi feliz, que a partir do momento da morte terá sido feliz. Verdadeiramente, ninguém gosta do fim: não há happy endings.

Que tem isto que ver com a literatura infantil? Tudo. Não se trata só de discutir se há hoje criança que acredite no «casaram-se e foram muito felizes para sempre». Nem sequer se trata de desmontar uma «ilusão perigosa». Como disse no post anterior, antes de uma deriva necessária, o essencial do problema joga-se no desenvolvimento da dimensão estética e criativa dos nossos filhos. Duas dimensões nada inocentes, no mundo tecnocrata e robótico que habitamos: a dimensão estética é nada mais nada menos que «a forma – encantada, desencantada, ou estimulante – como o ser humano sente o mundo»; a dimensão criativa é tão-só a que lhe permite encontrar soluções, sentir-se realizado nas suas aspirações e «salvo» (ponho a palavra entre aspas para lhe retirar o carácter religioso e lembrar outro sentido da mesma, o de estado saudável).


[Seguirei, a partir deste momento, as ideias contidas em O Senhor de Herbais (pp.188-192), de Maria Gabriela Llansol, autora que trabalhou toda a vida com crianças (em Portugal e na Bélgica) e com quem partilho, neste assunto, de quase tudo o que diz.]

Com efeito, quase tudo na educação das crianças concorre para a introdução nas suas vidas do «módulo de verdade e de ordem». A isto se chama muitas vezes crescer. Quando se lhes pergunta o que é que elas querem ser quando forem grandes, ou se lhes ensina a ler «o gato deu três cambalhotas antes de enfiar a posta de pescada pela goela abaixo», estamos a antecipar a «função de verdade» na qual elas entram aos sete, oito anos. Se a criança se recusa aceitar tal, psiquiatra ou casa de correcção com ela … Mas será isto crescer? É crescer, certamente, mas numa determinada direcção. Há outras. Winnicot mostrará a Maria Gabriela Llansol o que ela já sentia na sua prática educativa: que «crescer sem motivar afectivamente é matar».

Mas só Espinosa lhe ensinou como gerar esse crescer. A autora/pedagoga substituirá então os livros de fadas e duendes pela leituras dos seus próprios livros, nos quais de forma (belíssima, diga-se) expõe Espinosa. Eu não seria tão radical ou exclusivista. Há outras soluções. A própria Llansol refere «a aprendizagem da leitura» e os «ciclos festivos que pontuavam a vida do grupo» de crianças com que trabalhava. Porque o que, precisamente, Espinosa lhe ensinara é que «crescer é aprender a querer preservar a potência com que se nasce, a desejar sentir o conhecimento dessa experiência». Trata-se de «metamorfosear a pulsão de morte» através de momentos festivos, de alegria (não confundir com a excitação histérica e saltitante, de música aos berros, a que se assiste em muitas creches, escolas e aniversários de crianças). Porque como diz Espinosa na sua Ética: «a tristeza é a passagem do homem de uma perfeição maior [leia-se: potência, sensação de poder de criar] para uma menor» e «a alegria é a passagem do homem de uma perfeição menor para uma maior». Trata-se de afirmar a potência, a capacidade e a realização da mesma, com que cada criança nasce (e todas as crianças, mesmo todas, têm potencialidades insuspeitas, à espera de serem despertadas), aquilo que outrora se chamava talentos. Mas não esquecer: essa motivação para o crescimento do ser da individualidade de cada criança tem de ser acompanhada de afecto. Sem afecto a criança pode ser livre, mas não ser alegre. Ou seja: a «função de potência» só funciona se for acompanhada de carinho, de confiança, do incentivo do afecto.


No fundo, o que está aqui em questão não é o final das histórias infantis, mas o durante de cada história da criança ao longo da vida. Todos somos crianças mais ou menos feridas, mais ou menos amadas. A nossa capacidade de metamorfosear, de dar outra forma à dor, é um acto de criação, de superação da impotência. Isso talvez não se possa aprender nas histórias tristes ou alegres, mas em quem as conta e como as conta. De facto, as histórias nunca estão acabadas antes do contador as contar. Elas acabam ou prolongam-se como um vestígio indelével na vida da criança através da voz de quem conta ou do prazer de quem aprende a ler. Porque a tristeza ou a infelicidade, segundo Espinosa (com quem concordo inteiramente) só se metamorfoseia em algo positivo graças a uma alegria que a supere. Essa alegria é incumbência dos pais que contam as histórias. A alegria de saber que, enquanto criamos, somos eternos.

Para finalizar (mas é um fim temporário), convém perceber que o que se opõe aqui é a reprodução e a criação. Se a criança aprende a reproduzir, adapta-se muito bem àquilo que lhe é pedido, cresce, como diria Hegel, para o Estado; se a criança aprende a criar, cresce para a sua própria criação, para a sua realização como ser de possibilidade, de potência realizável. Consoante o que escolhermos para os nossos filhos, estaremos a criar «hierarquias temporais e sociais» ou «expansão de singularidades». E esta última hipótese é indubitavelmente muito mais perigosa e subversiva do que o acto de queimar livros!

PC

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Finais-Felizes, 2

«LONDRES, 5 OUT (ANSA) - Uma associação de pais britânicos contra os livros infantis sem final feliz organizou para o fim deste mês uma série de "Fogueiras dos Livros Maus", convidando outros pais a levarem os volumes "pouco alegres" para jogá-los ao fogo, informou hoje o Daily Mail.» (Ler aqui o resto da notícia).

Esta notícia do presente, em que livros são queimados por ameaçarem a felicidade do homem, é assustadoramente semelhante à memória que nos ficou do Index depois das aulas de História. Ou à hipótese futura descrita no romance Fahrenheit 451 (temperatura a que o papel pega fogo) por Ray Bradbury e adaptada ao cinema por François Truffaut: uma sociedade totalitária em que os livros são considerados perigosos e incendiados, por causarem infelicidade e gerarem pessoas improdutivas.

O acto simultaneamente efectivo e simbólico de queimar um livro só pode decorrer da ignorância da História ou de uma assimilação sem critérios dos dados da mesma. Uma espécie de reminiscência latente se terá declarado da pior forma nos cérebros que conceberam a ideia. Podiam propor debates sobre o assunto, mas não: só a destruição do objecto odioso os descansa.


Sejamos francos: com finais felizes ou com finais infelizes há livros infantis péssimos. Se calhar, rondam a maioria. Mas, para que não façam mal aos nossos filhos, basta não comprá-los. Ou seja: basta seleccioná-los segundo os critérios daquilo que nos parece o melhor para o desenvolvimento da dimensão estética e criativa dos nossos filhos.

É aliás nestas duas dimensões que se joga, em meu entender, o essencial do problema.

Mas, antes de a isto voltar, analisemos mais profundamente o incidente. Às posições radicais desta associação opõem-se não só aqueles que defendem a liberdade de expressão, como aqueles que defendem que os livros infantis devem preparar as crianças para o futuro. É a tese implícita no argumento defensivo da criadora da associação: «Não digo que o mundo deve ser apenas cor-de-rosa, mas é preciso fazer o possível para proteger as crianças.» Uns querem protegê-las, outros prepará-las. Protegê-las de quê? Do mundo violento, real, que as espera. Prepará-las para quê? Para o mundo cínico, competitivo, real, que as espera. Em ambos os casos, subjaz um conceito de realismo extremamente perigoso; pior: uma mundivisão estática do real, uma espécie de grau zero do pensamento que se traduz nisto: «O real – o mundo – é assim, e temos de ajudar as crianças a conformarem-se com ele – ou de protegê-las para não entrarem tão cedo nesse real atroz.»

Porém, a estética do conto de fadas não está assim tão longe da do realismo. Nem da do gótico ou do monstruoso, bastante popular hoje. Alguém duvida da crueldade presente nas histórias de finais felizes? Bruxas, madrastas, feiticeiros, irmãs más, lobos maus, todos eles são a seu tempo castigados, e quase sempre severamente, e quase sempre sem piedade. Não são nada cristãos os contos infantis clássicos. O sentido cínico da realidade não está presente apenas nas histórias de final infeliz. Acrescento: não precisaria do final infeliz para se manifestar. O perigo do final infeliz para a psicologia de uma criança é a introdução de uma ideia de irremediável, de irrecuperável, de irreconciliação. Muitas vezes, resolve-se isto procedendo à inversão do herói, que passa a ser o «mau», ou o escorraçado, que surge destruindo os «bonzinhos» ou os belos. Mas também as histórias tradicionais não vão muito além da justiça da vingança...

A história não está completa. Voltarei a ela, no próximo post. Porque a felicidade ou infelicidade do fim dependem doutros factores que não as histórias em si ou os seus finais.


PC

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Finais-felizes, 1

Procurando algo mais do que a notícia que ouvira na rádio de manhã sobre isto, vim dar a este vídeo, que me pareceu bem mais interessante.

PC

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O trabalho e o fogo

O velho gasta as ultimas energias a cortar a lenha. O Inverno esta a chegar e e preciso que um novo fogo venha substituir o ardor do Sol. Em breve o trabalho se incendiara na lareira e, a medida que as brasas arrefecerem, um outro Verao aguardara ate poder ser festejado.

FM

Imagem: Camilo Pissarro, Pere Melson Sawing Wood (1879)

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Filosofia e Felicidade

Introdução, 8

Ainda que a filosofia fosse algo inútil, não estaria em perigo o seu valor. Ela é uma das formas mais importantes, mesmo que incompleta, de realização do Homem, pois, manifesta e desenvolve a sua aspiração de se reconhecer como existência que não se reduz nem às contingências biológicas nem às leis do funcionamento dos mecanismos psíquicos. Filosofar é uma actividade para a qual o Homem pode sentir-se chamado, mas não uma função que ele tem que desempenhar.


A filosofia é uma das realizações mais extraordinárias do que há de prodigioso no ser humano e, nesse sentido, não pode nunca esquecer-se que é profundamente contrária aos aspectos servis da existência. É uma exigência de liberdade que só pode acontecer na liberdade. Assim, a formulação da ideia de uma actividade filosófica à qual possa ser dada uma utilização, uma dimensão utilitária, seja ela qual for, só faz sentido na medida em que o filósofo nunca permita reduzir-se completamente à condição de funcionário e não abdique da parte de soberania a que acede por meio do exercício de pensar crítica e livremente.


FM

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Filosofia e Felicidade

Introdução, 7

Aparentemente, são poucosos que reconhecemtudo o que umas quantas sessões de reflexão filosófica podem trazer de positivo ao Homem, como por exemplo, a clarificação de ideias, a definição dos termos de um problema, a distinção entre os factos e os valores, a confrontação de alternativas, a construção partilhada de argumentos, a ponderação, o distanciamento da situação problemática concreta e a elevação a uma visão de conjunto mais esclarecida, mais solidamente equacionada e mais tranquila.

Enquanto pessoas aflitas, muitas vezes em desespero, se sentem atraídas pelas soluções quiméricas, por vezes simplesmente desajustadas e ineficazes, outras vezes fraudulentas e perigosas, que lhes são apresentadas na imensa superfície comercial em que se converteu o mundo actual, grande parte dos filósofos profissionais mantém-se imperturbável, incapaz de uma advertência, de uma chamada de atenção; ou simplesmente acreditando que escrever umas quantas linhas carregadas de erudição é o suficiente para que a situação se altere. Os departamentos ou institutos filosóficos das universidades deveriam perceber que, para além dos muitíssimo necessários e rigorosos diagnósticos que fazem os Doutores, a maior parte das vezes de forma séria e irrepreensível, o mundo espera deles algo mais. A astronomia, a física ou a biologia também contemplam uma vasta e interessantíssima dimensão especulativa. Mas não se limitam a apresentar ao mundo hipóteses e conclusões contemplativas. Não poderia a filosofia fazer algo semelhante sem se desvirtuar enquanto actividade especulativa e sem perder a especificidade que a distingue dos outros ramos do saber? Não poderiam ir os cursos universitários um pouco mais além (com ofertas opcionais) da preparação dos estudantes para as funções docentes?

A crítica aos filósofos estende-se, no entanto, muito para além das universidades. Onde está o contributo dos inúmeros profissionais portugueses em filosofia, para além do impagável serviço que prestam nas escolas? A reflexão, as propostas, certamente existem. Mas porque são tão poucas trazidas a público?

FM

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Filosofia e Felicidade

Introdução, 6

O desespero, a infelicidade, a miséria, a dor, sempre foram “produtos” muito atraentes. Eles encaixam perfeitamente na lógica do lucro e chegam a gerar em torno de si gigantescas indústrias. Facilmente nos cruzamos com uma proposta de felicidade dirigida a todas as formas de infelicidade. Não faltam soluções para os males da humanidade: adivinhação, feitiços e mezinhas que tudo curam, desde a maledicência à impotência sexual, passando pela toxicodependência e pelo cancro; psicologias caseiras ensinam como ser bem sucedido no trabalho, como conseguir um aumento, como evitar a infidelidade; psicologias menos caseiras oferecem conselhos a adoptar com os adolescentes “problemáticos”, os estudantes difíceis, o temperamento irascível, ou apresentam terapias para acabar com a depressão, o pânico, a insegurança ou a instabilidade emocional; ciências médicas definem quadros sintomáticos ou apontam causas biofisiológicas para o mal-estar psicológico em articulação com laboratórios farmacológicos que sintetizam remédios contra a dor moral, contra o sofrimento do luto, contra a pressão do trabalho; inúmeras religiões, seitas e movimentos esotéricos apontam as causas ocultas do mal e apresentam caminhos inquestionáveis para a salvação…

FM

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Filosofia e Felicidade

Introdução, 5

Em muitos países – entre os quais Portugal – o reconhecimento social e político da filosofia parece estar em vias de extinção. Ter um diploma de licenciatura em Filosofia não é chave que mereça estar no chaveiro. Não abre as portas ao emprego nem ao prestígio. É provável que a anotação da expressão “licenciatura em Filosofia” num currículo provoque o riso do empregador; achará graça, talvez, mas dar-se-á ao trabalho de convocar o licenciado para uma entrevista? Fora o já sobrelotado ensino, que outras portas se abrem ao filósofo? O jornalismo e a política seriam boas apostas, não estivessem já praticamente circunscritas à procura de técnicos. E à medida de que se perdem talentos, cresce a noção de que a filosofia não passa de um luxo dispensável.

Por outro lado, a própria filosofia, de modo paradoxal, converteu-se ela própria numa “especialidade”. O problema é que estes “especialistas” não podem entender-se quanto à definição do seu objecto de estudo e sentem muitas dificuldades em mostrar ao mundo o interesse do seu campo de investigação. No entanto, como sempre desde o início, a filosofia continua a produzir obras de excelência acerca de temas que têm tanto de essencial como de actual.

É claro que estes bons resultados resultam de muito esforço, o que pode ser um problema, pois, uma ideia filosófica é tão difícil de construir para o seu autor como para todos aqueles que procuram seguir a sua exposição. Assim, tem a seu desfavor o facto de se tornar pouco atraente num mundo que exige tantos cuidados pragmáticos e que oferece tantas oportunidades recreativas.

Há, contudo, em diversos sectores da sociedade, a convicção de que a filosofia é importante, sobretudo na formação dos jovens, o que se reflecte na obrigatoriedade do seu estudo no ensino secundário ou nas recentes propostas de inclusão no currículo de uma vertente de filosofia para crianças. Concluído este período da formação, porém, o que coincide mais ou menos com a entrada na vida adulta, a sociedade trata a filosofia e os filósofos com um desdém que faz lembrar o Cálicles, sofista imaginário que se confronta, no célebre Górgias de Platão, com Sócrates, atirando-lhe à cara que quando vê um adulto a filosofar se sente no direito de o chicotear.

O desprezo pela filosofia não significa, no entanto, a morte das questões filosóficas, o fim do espanto, da dúvida, da inquietação existencial. A necessidade de estabelecer uma relação filosófica com a vida não desapareceu. Cada homem continua a representar o mundo a partir de uma perspectiva que é a sua e que interiormente o compromete com a solicitação indeclinável de se constituir, espontaneamente, como filósofo, isto é, como portador de uma certa visão do mundo.
Em certos momentos, porém, o mundo trai a visão que dele formamos, abalando as nossas crenças, fazendo ruir convicções, provocando o gaguejar das rotinas, desmoronando o tácito sentido que formamos da nossa presençana existência,como se toda essa construção não passasse de um castelo de cartas. Em momentos assim, deixamos de nos sentir auto-suficientes e chegamos a sentir a falta de algum auxílio exterior que nos ajude a recompor no barro que somos a figura do nosso espírito. São momentos – como todos os outros realmente importantes – carregados de riscos. Mas também de possibilidades. Há sempre o perigo de novos bezerros de ouro, mas também da redescoberta da pessoa de umoutro como elemento solidário da construção de nós próprios.

FM